Dores intensas no baixo ventre e durante a relação sexual e cólicas insuportáveis na menstruação estão entre os principais motivos que levam boa parte das mulheres a agendarem uma consulta de urgência com o médico. É importante saber que esses sintomas costumam ser causados por distúrbios ginecológicos, como a síndrome dos ovários policísticos, a endometriose e o mioma uterino. E mais: esses males podem aparecer em qualquer momento da vida, mesmo para aquela mulher que se cuida e faz os exames de rotina.

A seguir, listamos os principais sintomas, diagnósticos e tratamentos de cada um. Confira e fique atenta aos sinais do seu corpo. 

SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS (SOP)

O chamado SOP é uma alteração provocada pelo desequilíbrio hormonal, que leva à formação de cistos nos ovários. É normal ter cistos, desde que desapareçam a cada ciclo menstrual. O que não acontece quando ocorre a SOP. Os cistos ficam nos ovários, tornam os órgãos até três vezes maiores, alteram o ciclo menstrual e podem levar à infertilidade. Entre as causas principais estão as alterações hormonais e a genética, sobretudo se a doença for detectada em parentes próximos, como mãe e irmãs.

Sintomas: podem ser percebidos já na adolescência, nos primeiros ciclos menstruais por conta da irregularidade. Outras características são o surgimento de acne, pêlos em excesso no rosto - devido à alta produção do hormônio masculino testosterona -, e aumento de peso.

Recentemente, a atriz britânica Daisy Ridley, a heroína Rey, das sagas de “Star Wars”, desabafou nas redes sociais contando que estava com SOP e, ainda, apareceu usando máscara para secar a acne. A jovem contou que demorou para descobrir a doença e agradeceu a ajuda de seus médicos, como a dermatologista, para melhorar o aspecto da pele.  

Diagnóstico: além do exame clínico, em que se observa o excesso de pelos e acne no rosto, são realizados exames de sangue e de hormônios, como a testosterona total – que, geralmente, aparece com o resultado elevado. O ultrassom pélvico ou transvaginal ajuda a detectar os cistos nos ovários.

Tratamento: é feito com medicações, como os anticoncepcionais (pílula, anel, implante), que inibem a formação dos microcistos e reduzem os níveis de hormônios. Dieta equilibrada e atividade física também são indicados para quem está acima do peso ideal. Para engravidar, o médico pode recomendar a indução à ovulação. Como se trata de uma alteração metabólica a SOP pode voltar após o tratamento, pois não tem cura.

Prevenção: não dá para evitar completamente a SOP. Mas quem leva uma vida saudável, com uma alimentação balanceada e prática regular de atividade física, pode normalizar parte dos problemas, como espinhas e alterações menstruais. 

ENDOMETRIOSE

Esta doença se caracteriza pela proliferação do tecido do endométrio, a camada interna do útero, em outros órgãos, como trompas, ovários, intestino e até bexiga. Quando o endométrio, que aumentou devido à ovulação, descama, é expelido pela menstruação. Esse sangue, por sua vez, pode ir para o sentido contrário, em direção aos ovários e cavidade abdominal. As células do endométrio se multiplicam, causando o problema, que pode ser genético e aparecer desde a primeira menstruação.

Sintomas: pode causar dor na região pélvica, durante a relação sexual e no período pré-menstrual. Já na menstruação, o sangramento é intenso ou irregular e são relatadas fortes cólicas. As mulheres sentem, ainda, fadiga crônica e exaustão. Pode haver dificuldade para engravidar e até infertilidade.

Diagnóstico: além do exame clínico, o ginecologista deve indicar exames de sangue e de hormônios, de imagens, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética (capaz de identificar a endometriose profunda). Para complementar os resultados, recomenda-se a ultrassonografia transretal ou ecoendoscopia retal e a tomografia computadorizada.

O especialista pode pedir, ainda, para a paciente realizar biópsia por meio da laparotomia (cirurgia tradicional, considerada mais invasiva) ou laparoscopia (pequenas incisões na barriga para introdução de instrumentos, visualização e retirada das lesões). 

Tratamento: são receitados medicamentos orais, como analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar os sintomas. Para algumas mulheres é indicado o DIU (dispositivo intrauterino) com levonorgestrel, um hormônio semelhante à progesterona, que ajuda a evitar o desenvolvimento do endométrio. Medicamentos com hormônios, como danazol e dienogeste, também podem ser receitados. Mas, se a mulher pretende engravidar, a indicação do médico será o tratamento em um centro de reprodução humana para a realização da fertilização in vitro.

Existem ainda os casos cirúrgicos, feitos por videolaparoscopia, por meio de pequenas incisões no abdômen. Trata-se de uma das melhores técnicas para se diagnosticar a doença e fazer uma cirurgia, pois sabe-se o número de lesões e aderências, que são retiradas durante o processo. Já com a laparoscopia, além de se fazer a biopsia, é possível eliminar alguns focos da endometriose ou suas complicações, como os cistos.

Recentemente, a atriz e modelo Giovanna Ewbank contou em seu canal no Youtube que passou por uma cirurgia para corrigir a endometriose.

Existem situações mais sérias em que a pessoa precisa passar por uma cirurgia convencional para remover partes ou até mesmo um órgão. Caso da atriz norte-americana Lena Dunham, criadora e protagonista da série “Girl”, que se submeteu a uma histerectomia (remoção do útero) após 10 anos sofrendo com a SOP.

Prevenção: é difícil falar em prevenção, pois vários fatores podem desencadear a endometriose. Mulheres com fluxo menstrual mais intenso e frequente teriam maior risco de apresentar a doença. Sabe-se também que a genética influencia. Mas a mudança de hábitos alimentares, redução do consumo de álcool e de cafeína, e prática de atividades físicas regulares, diminui as chances de desenvolvê-la. A endometriose é uma doença crônica, e, por isso, o acompanhamento médico é fundamental.

MIOMA

É um tumor benigno e sua causa é desconhecida. O músculo uterino cresce dentro ou fora do útero e pode alterar o formato do órgão. Ocorre com maior frequência entre os 35 e 50 anos e incide de três a nove vezes mais em mulheres da raça negra. Sabe-se, ainda, que os hormônios estrogênio e progesterona influenciam o seu desenvolvimento. Com a chegada da menopausa e a queda dos hormônios, o mioma costuma encolher e até desaparecer. Já durante a gravidez acontece ao contrário, a tendência é aumentar de tamanho.

Sintomas: pode ser assintomático, isto é, a grande maioria não sente nada e descobre após passar por exames de rotina. Entretanto, os principais desconfortos causados pelo mioma à medida que se desenvolve é a menstruação irregular, que pode ser intensa e por períodos prolongados levando, inclusive, à anemia. Dependendo da localização, pode gerar cólicas, sangramento entre uma menstruação e outra, e dores abdominais, pélvicas e durante a relação sexual. Muitas mulheres apresentam também infecções no sistema urinário.

Diagnóstico: se estiver em um tamanho anormal, quando altera o tamanho do útero ou seu relevo, pode ser diagnosticado no exame clínico de toque. A ultrassonografia transvaginal confirmará o diagnóstico, revelando o tamanho, a localização, a quantidade e o tamanho de cada mioma.

Tratamento: quando os miomas são pequenos e assintomáticos, não há o que tratar. A partir do momento em que se desenvolvem, produzem sintomas. Nesses casos, as opções terapêuticas são o uso de anticoncepcional e a embolização da artéria, que é uma técnica não-cirúrgica e indicada exatamente para adiar a cirurgia. Não sendo possível, o especialista parte para a cirurgia (miomectomia) e a remoção do mioma. Detalhe: o mesmo mioma pode voltar. Em último caso, o definitivo, acontece a retirada do útero (histerectomia).

Prevenção: não existe um medicamento para prevenir, apenas para impedir o seu crescimento ou reduzir seu tamanho, temporariamente. Devido aos fortes efeitos colaterais, esses remédios não podem ser usados por mais de quatro meses. E, sendo assim, o mioma costuma voltar a crescer após o tratamento.

O fato é que muitas mulheres já passaram e estão passando por algum desses distúrbios. Você é uma delas? Se sim, queremos saber. Conta pra gente como descobriu o problema e por quais tratamentos optou.

Fontes: Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo; Associação Brasileira de Endometriose; e Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.